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Análise: Army of Two: The 40th Day
18/01/2010 18:51 - Por Rodrigo Guerra

Dois companheiros de guerra saem das forças armadas americanas para fundar sua própria empresa militar. Rios e Salem agora estão por conta própria fazendo aquilo que sempre gostaram: salvar o dia. Army of Two: The 40th Day é um jogo de tiro feito para ser jogado acompanhado, ou seja, se você é um lobo solitário é melhor parar por aqui e se divertir com outra coisa.

Os soldados estavam “apenas” roubando informações confidenciais em Xangai, quando de repente o mundo começa a desabar. Prédios são explodidos, aviões caem no meio da cidade e as pessoas parecem ter perdido a esperança de viver. Agora os dois vão ter que lutar para sobreviver e acabar com quem está fazendo tudo isso. Depois de cinco minutos de jogo parece que esse é um jogo de desastre – e é melhor não deixar o volume de seu home theater no máximo caso tenha amor aos seus tímpanos.

Quem jogou o game anterior vai perceber que muita coisa mudou. Começando pelo vocabulário dos protagonistas, que antes pareciam ter vindo de um fórum de jogos e passou a ter o tom menos “moleque”. Frases como “Essa arma é um saco!”, “E aí mano?” e “Esses caras são noobs!” ficaram de fora e entraram outras mais condizentes para dois ex-militares. Também não existe mais o botão exclusivo para cumprimentar seu camarada, no lugar disso entrou a seleção rápida de armas e uma brincadeira idiota de pedra papel e tesoura.

De resto, tudo continua como no original. Os estágios foram feitos para serem jogados em equipe visando o sistema Aggro. Com ele um soldado atira para chamar a atenção dos inimigos, enquanto o outro vai se esgueirando e atacando pelos flancos. É uma funcionalidade divertida e que é necessário ter noção dos arredores do cenário e de como os inimigos estão atacando. Isso faz a comunicação ser indispensável e é um dos motivos para não jogar sozinho.

Em um dos primeiros estágios, Rios e Salem estão em um parque de diversões apinhados de soldados inimigos. Enquanto um deles segue pelos telhados, o outro vai pelo chão. Para os dois prosseguirem é necessário que um chame a atenção dos terroristas enquanto o outro fica livre para se posicionar melhor. Para isso é necessário usar todo tipo de cobertura, de um muro caído, a uma mesa ou máquina de refrigerantes.

E antes de sair correndo feito uma vaca louca, é bom dar uma olhada no GPS. Ele permite que você e seu amigo marquem a posição dos inimigos, possibilitando que você saiba com antecedência a localização dos alvos e se prepare antes de avançar. O problema é que ele não fica disponível o tempo todo: ele se desliga depois de 30 segundos de uso contínuo. Depois disso é preciso esperar um tempo antes de voltar a usar esse sistema – senão tudo seria muito fácil não é?

Em certas partes é necessária ação em conjunto acabar com dois ou mais inimigos ao mesmo tempo, como o Co-op Sniping. Com isso os dois usam rifles de precisão e abatem dois inimigos simultaneamente. Outras ocasiões requerem que a equipe salve reféns. Para isso, um dos dois deve imobilizar o líder dos sequestradores enquanto o outro vai imobilizando os outros alvos. Tudo tem que ser muito rápido, pois caso contrário alguma coisa pode dar errado e sua missão pode ir para os ares com o resto da cidade.

A variedade de tipos de parceria só aumenta conforme você avança no jogo, inclusive na hora de se curar de ferimentos. Quando isso acontece seu amigo tem que arrastá-lo para um canto seguro para assegurar que você consiga se recuperar dos ferimentos. Esse é mais um dos casos que mostra que os seres humanos podem ser muito mais úteis do que o computador, pois ele vai tentar resgatá-lo sem se preocupar com as ameaças, mesmo que elas sejam mortais. E acredite: ele vai morrer em 80% dos casos.

Já no caso dos inimigos a IA é bem mais inteligente, mas ainda não é à prova de falha. Os soldados controlados pelo computador usam as mesmas técnicas de Rios e Salem: avançam aos poucos, usam táticas avançadas e se curam. Porém, quando seu soldado está sem Aggro, os inimigos não vão atacá-lo - é como se você fosse invisível para eles. Mas após o primeiro disparo, eles vão virar todas as armas para sua cabeça – aí é bom ter uma boa estratégia para sair dessa enrascada.

Tem a moral?
The 40th Day inclui um sistema que leva em conta todas as suas decisões. Por exemplo, você pode salvar os reféns ou se preocupar em salvar a sua pele. Se decidir em libertá-los, você poderá receber itens e mais dinheiro no final da missão, mas ao deixá-los morrer uma arma importante pode não aparecer no futuro.

Mas existem também momentos onde sua moral é posta à prova, como pode ser visto logo no primeiro capítulo. Em um determinado momento os soldados são ordenados a matar um contato importante. O cara é na verdade um agente duplo e que roubou seu contratante. As opções são: matá-lo a sangue frio ou vai deixá-lo escapar por ter sido um bom companheiro. Dependendo da sua opção, você vai assistir uma cena que mostra o resultado de sua escolha, além de ganhar ou perder moral com seu companheiro.

Só que às vezes as coisas não são assim preto no branco. Mais adiante na história Salem e Rios terão que fazer uma escolha entre salvar uma mulher ou sua criança de colo. Quem salvar? A mãe ou a filha?

Esse “medidor de moral” é bem interessante, porém não é perfeito. Como no ultimo exemplo, porque não ter a opção de salvar as duas? Ou porque não rachar a grana com seu contato? E tem outra: não importa o que faça, pois no final de cada estágio sua moral é “zerada”. Ou seja, se do quarto capítulo você for um anjo, seu companheiro nem vai ligar caso seja um idiota no quinto e matar tudo e todos que estiverem pelo caminho. Além disso, essas opções não afetam no final do jogo. Então não precisa se martirizar se fizer uma escolha errada.

Fogo no buraco
Os cenários são bem vastos e as vezes nem parece que tudo se passa em uma mesma cidade o tempo inteiro. Existem diversos detalhes espalhados e é difícil ver uma textura repetida. Mas também não chegue com muita sede ao pote, pois os gráficos não são maravilhosos e inesquecíveis. Apenas bonitos, ok?

Porém quando o assunto é o som, a coisa muda de figura. The 40th Day tem um trabalho de engenharia de som perfeito e dá a impressão de profundidade mesmo quando não é jogado em um Home Theater. Dá para ouvir passos vindos nas suas costas, mesmo usando o som da televisão – até parece bruxaria.

O que falta em The 40th Day foi um melhor trabalho na parte interna, aquela que você (quase) não vê. Por exemplo, os carregamentos que são muito longos. No caso do Xbox 360 isso pode ser limitado instalando o game inteiro no console, mas esta opção, por incrível que pareça, não está disponível no PlayStation 3. Caso tenha que reiniciar em um check point, vá para cozinha e busque um refrigerante. São cerca de 50 segundos de load time entre um estágio e outro – sem falar que é impossível cortar cenas animadas, mesmo as que já foram assistidas.

Fica constatado que os produtores tentaram melhorar tudo o que foi criticado no game anterior, porém, poucos foram os avanços na campanha para um jogador. O foco é jogar acompanhado com um amigo – e nisso The 40th Day se dá muito bem. Se você quer matar a saudade daqueles tempos que jogava Super Contra nos finais de semana, este é o jogo que melhor se aproxima daquela diversão despretensiosa.

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FICHA TECNICA
Army of Two: The 40th Day
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   Nota:
   
8
Número de jogadores:
1 a 4 Jogadores

Desenvolvedor:
Electronic Arts

Distribuidor:
Electronic Arts

Lançamento:
08/01/2010

ESRB:
Mature

Plataforma:
PS3, X360

Suporte:
Multiplayer Online

Genero:
Ação

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